14 de jun. de 2010

     - Me deixa ir! - e cada vez que repetia tais palavras, apertava mais forte a mão dele. - Eu preciso. Eu sei o que faço! - e mais força ela depositava no abraço, já deveras frouxo por parte do rapaz atônito.
   Um lapso de vontade de soltá-lo passava por sua cabeça quando este diminuía sua força, já que tal atitude desestruturava suas ideias: não se conformava com possível indiferença por parte dele. Porém, sua única reação consciente era pressionar os dois corpos sem chance alguma de libertação - sabia que, no fundo, a culpada pela tempestade era ela. Montava o cenário daquela forma e depois lamentava a inércia do moço quando, no fim, tudo devia-se a ela. 
   Não entendia porque agia assim. Olhava-no e enxergava sua visível dúvida e incompreensão. Continuava pedindo para ser deixada. Sua maior certeza, entretanto, bombardeava em sua mente: "Não me solta. Nunca. Só te peço: fica. Custe o que custar, fica..."

"i'll let go
but there's just no one that gets me like you do
you are my only, my only one"

5 de jun. de 2010

- Não sinta-se assim... não faz bem a ninguém. Traz-lhe algum benefício? São papéis rasgados; colá-los daria trabalho e tempo. E um quê de boa vontade, muita boa vontade: papéis rasgados àquele ponto são difíceis de serem reconstruídos. Não há motivos para cultivar sentimentos ruins; tais como os papéis, esses sentimentos também são descartáveis e não trazem vantagem alguma. Não era você a dona do discurso pró-tolerância?

* * * * * * * * * * * *

(Papéis... mas, se não jogados fora, continuam ocupando espaço. Mais espaço do que se não estivessem rasgados. A única solução conveniente: queimá-los. Não atrapalhariam, não mais seriam lembrados...)

Sinceramente? Desapareça. Não importo-me se isso seja doloroso ou pacífico: só desejo que suma. Instantaneamente. Não quero tua sujeira ao meu redor; já me bastou o suficiente. Desejar sumiço sempre foi-me deveras torturante; imensuravelmente mais árduo, porém, é tolerar a presença de tamanha imundície. Ter de engolir cada farrapo e cada grão de poeira me é limitado. Com todo o perdão da palavra: morra. Dá-me o alívio de ter tua nojeira distante por si própria, antes que seja eu forçada a fazê-lo...