Foi-me entregue uma caixa de um jogo. Em seu interior, pude ver mil peças. Minúsculas misturadas a maiores, diferentes materiais... o que me chamou a atenção, entretanto, é que estavam perfeitamente modeladas, prontas. No manual, li apenas uma pequena mensagem e, ainda assim, me custou a compreendê-la. Dizia que o propósito daquele jogo não era criar as peças - elas já estavam lá e não haveria como mudá-las. Era minha função, porém, organizá-las da maneira que me fosse conveniente - e deveria usar todas. Poderia criar um desastre ou fazer delas uma cena feliz - ao passo que poderia simplesmente não jogar. Caberia a mim escolher. Não gostei de certas peças. Suas formas me incomodavam. Ainda assim, consegui criar um cenário que me agradou, e fiz até mesmo com que as peças mais indesejadas se adaptassem sem causar estragos ou descontentarem-me.
Só depois de muito percebi que o que me foi entregue ia muito além de um jogo. Havia recebido a vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário