25 de dez. de 2009

Quantos papéis já foram rasgados desde sua decisão de escrever sem voltar atrás? Perdoável. 
- Não se preocupa, daqui a pouco é lua cheia. Ela vai voltar ao normal.

18 de dez. de 2009

"I talk to absolutely no one. Couldn't keep to myself enough and the things bottled inside have finally begun to create so much pressure that I'll soon blow up."
Querida Coragem, 
Muito mudou. Acho que essa diferença foi uma piora. Sabe, gostava de você comigo. Sua presença me fazia ver tudo da maneira mais simples, sem contradições. Não ficava como agora, durante horas perante uma dúvida, buscando razões para fazê-la permanecer em vez de buscar soluções.  Também sinto falta daquela sua prima, Confiança, que vinha sempre te visitar. Me sentia segura perto dela. E ela me fazia bem. Nunca hesitei em olhar ao meu redor quando estava com ela. 
Olha no que eu me tornei. Tenho medo de olhar, de tentar. Não me convenço, nada me é suficiente. Quero você. Preciso de você. Por favor, de onde você estiver, se vier a ler essa carta.
Volta.



10 de dez. de 2009

Foi-me entregue uma caixa de um jogo. Em seu interior, pude ver mil peças. Minúsculas misturadas a maiores, diferentes materiais... o que me chamou a atenção, entretanto, é que estavam perfeitamente modeladas, prontas. No manual, li apenas uma pequena mensagem e, ainda assim, me custou a compreendê-la. Dizia que o propósito daquele jogo não era criar as peças - elas já estavam lá e não haveria como mudá-las. Era minha função, porém, organizá-las da maneira que me fosse conveniente - e deveria usar todas. Poderia criar um desastre ou fazer delas uma cena feliz - ao passo que poderia simplesmente não jogar. Caberia a mim escolher. 
Não gostei de certas peças. Suas formas me incomodavam. Ainda assim, consegui criar um cenário que me agradou, e fiz até mesmo com que as peças mais indesejadas se adaptassem sem causar estragos ou descontentarem-me. 
Só depois de muito percebi que o que me foi entregue ia muito além de um jogo. Havia recebido a vida.

6 de dez. de 2009

- You asked for that.
- It's not my fault.
- It may not be, but you asked for that anyway.
- What did I do?
- You're absolutely aware of what you've done.
- I still didn't understand what you're trying to say.
- This time you did. You know it. Don't you cry after anything happens.
- Ok, you win. But it's stronger than me. And I've always done that. I'm not going to stop now.
- You should learn with your own mistakes instead of repeating them.
- What a pity that doesn't happen.
- And do you find it a nice thing to say about you? "Hey, I'm stubborn, a lost case!"
- Of course I don't.. but..
- Then, why do you encourage everyone to change their defects if you don't even do it to yourself?
- Because I can't change it.
- You can. You just don want to.
That's fine. Keep on with your pride and we'll see.

"It's the same old story.
Same old song and dance, my friend.."

5 de dez. de 2009

Começou a escrever e rasgou.
Questão de dia.

4 de dez. de 2009

leva-nos a pensar que o problema é conosco, quando, na verdade, é com eles..

3 de dez. de 2009

- Não engole o que você sente. Faz mal.
Dispôs ela então de papel e caneta para, finalmente, driblar afazeres e traçar seus conturbados pensamentos. Tanto conturbados em sua cabeça, quanto conturbados a olhos dos outros. Saberia que, ao terminar, rasgaria - caso terminasse.
Seus conceitos ficavam tão mais claros quando desorganizados... mergulhar-se em sua consciência e vê-los lá, simplesmente existindo, já lhe bastava. Organizá-los era um sufoco. Todavia, sentia, sim, a necessidade de organização. De súbito, passava a precisar da ordem como se esta fosse trazer-lhe soluções. Escrevia.
Esperava que suas palavras passassem de uma mera tentativa dentre tantas realizadas. Dessa vez, chegou perto do que queria transmitir, mesmo que o que transmitiria não se direcionasse a ninguém. Buscava que suas palavras suprissem seus pensamentos e sentiu-se perto desse propósito. Conseguiu expor-se, enfim... pela primeira vez?
Vem à tona a insegurança. A sensação de insuficiência, seguida da impressão de que havia a possibilidade de ter feito melhor. O constante arrependimento por não ter aproveitado totalmente. Parava de escrever e lia. Não reconhece quem esteve ali escrevendo por ela e começa a rasurar. Age movida pelo impulso. Manifesta seu o orgulho e não permite que leiam. Ninguém veria, de qualquer forma. Não quer permitir nem que ela mesma tome conhecimento. De um lado, no fundo, gostaria, sim, que tivessem noção do que acontecia ali dentro. De outro, não quer de maneira alguma que saibam. "Não lhes convém", pensava, enquanto rasurava. E o que era próximo de suas ideias, tão dificilmente atingido, ia ficando cada vez mais diferente do que era a princípio. Ainda assim, com intervenção dela.

Tentou pôr no papel um pequeno rascunho de sua mente. Frases desconexas que, a eles, não tinham nenhuma relação. Para ela, entretanto, tinham todo o sentido do mundo, mesmo que sua outra pessoa as alterasse completamente. Expressar-se continuou sendo uma tentativa, mas progrediu. Não rasgou o papel. Intacto permanecerá, ao menos enquanto a lua cheia estiver no céu.