29 de ago. de 2010

Condenou por uma vida
Quando foi condenada
Mal pôde pisar o tribunal

26 de ago. de 2010

Fúria. Fúria traduzia-se em seus olhos já vermelhos do que tamanha raiva havia se convertido. Fuzilava o que encontrava em sua frente e recebia o olhar desta em troca. O punho já cerrado contraía-se gradativamente conforme a reação da oponente se igualava.

Àquela altura, a disputa era plenamente muda. Tal silêncio, contudo, abordava todo o significado da situação: o ódio mútuo.

Do outro lado, a fúria também era correspondente.

Via-se, entretanto, ao fundo daqueles furiosos olhares, um resquício de dúvida. Dúvida, angústia, mal-estar, arrependimento... mas, a cada momento que estas pareciam se aflorar, a chama da cólera se atiçava e queimava completamente a tentativa de trégua de ambos os lados.

O furor da oponente à esquerda era intenso, apesar da sutil hesitação que surgia em seu olhar. Em contrapartida, à direita, a menina estava nitidamente não-convicta de sua posição. O espectador certamente perguntaria a si mesmo se esta tinha certeza do que ali fazia ou porque ali estava - claro, sem obtenção de resposta, já que seu olhar denunciava a completa incerteza em seu interior.

De súbito, o punho cerrado da oponente à esquerda voltou-se à rival com força.

Cacos de vidro encontravam-se em sua frente.
Ela acabara de quebrar seu espelho.

15 de jul. de 2010

Seu mundo girava.
Suas mágoas, seus medos, seus orgulhos, seus traumas.
Misturados. Embolados.
Vomitou-os. Todos.
Vomitou sua alma.
Perdeu sua alma junto das suas mágoas, seus medos, seus orgulhos e seus traumas.
Estava vazia.




"i'm safe up high; nothing can touch me
but why do i feel this party is over?"
Deitada em sangue.
Engasgada, sufocada. Sua feição, porém, era sorridente. Talvez em prol do embelezamento do cenário.
Um sorriso, contudo, desesperado. Conturbado. Um sorriso que, se olhado a fundo, transparecia o pleno medo.
Macabro.



"well, she's not bleeding on the ballroom floor just for the attention...
come on, that's just ridiculous!"

13 de jul. de 2010

Fazer do ser um verbo intransitivo
Com sentido completo
Sem complemento direto
Só necessária a ajuda dos advérbios
- únicos responsáveis pela mudança da essência do ser.

12 de jul. de 2010

- Você não para de chorar desde que ela começou a tocar.
- Eu gosto de chorar por ela... eu valorizo os sentimentos de quem a escreveu... coitadinho, coitadinho...
- Dentre tantas outras, você não para de escutá-la. Ela só te faz mal. Você sabe disso.
- Não me importo... eu gosto dela... preste atenção...
- Desliga essa música..
- Eu não quero...



... não quero.

10 de jul. de 2010

E sob seu epitáfio
Ali jaz arrependimento