29 de ago. de 2010

Condenou por uma vida
Quando foi condenada
Mal pôde pisar o tribunal

26 de ago. de 2010

Fúria. Fúria traduzia-se em seus olhos já vermelhos do que tamanha raiva havia se convertido. Fuzilava o que encontrava em sua frente e recebia o olhar desta em troca. O punho já cerrado contraía-se gradativamente conforme a reação da oponente se igualava.

Àquela altura, a disputa era plenamente muda. Tal silêncio, contudo, abordava todo o significado da situação: o ódio mútuo.

Do outro lado, a fúria também era correspondente.

Via-se, entretanto, ao fundo daqueles furiosos olhares, um resquício de dúvida. Dúvida, angústia, mal-estar, arrependimento... mas, a cada momento que estas pareciam se aflorar, a chama da cólera se atiçava e queimava completamente a tentativa de trégua de ambos os lados.

O furor da oponente à esquerda era intenso, apesar da sutil hesitação que surgia em seu olhar. Em contrapartida, à direita, a menina estava nitidamente não-convicta de sua posição. O espectador certamente perguntaria a si mesmo se esta tinha certeza do que ali fazia ou porque ali estava - claro, sem obtenção de resposta, já que seu olhar denunciava a completa incerteza em seu interior.

De súbito, o punho cerrado da oponente à esquerda voltou-se à rival com força.

Cacos de vidro encontravam-se em sua frente.
Ela acabara de quebrar seu espelho.